{"id":330,"date":"2010-08-13T19:20:54","date_gmt":"2010-08-13T21:20:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.encontraipiranga.com.br\/blog\/?p=330"},"modified":"2013-08-14T01:29:50","modified_gmt":"2013-08-14T03:29:50","slug":"mostra-no-museu-do-ipiranga-destaca-oficio-de-alfaiate","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.encontraipiranga.com.br\/blog\/mostra-no-museu-do-ipiranga-destaca-oficio-de-alfaiate\/","title":{"rendered":"Mostra no Museu do Ipiranga destaca of\u00edcio de alfaiate"},"content":{"rendered":"<p>Nos anos 1970, ser alfaiate na cidade de S\u00e3o Paulo era sin\u00f4nimo de status. Esses profissionais eram reconhecidos e valorizados. &#8220;Nosso trabalho era visto com a mesma import\u00e2ncia de engenheiros, m\u00e9dicos, advogados&#8221;, conta o alfaiate Tommaso Greco, 87 anos, um dos mais experientes da cidade e que trabalha em Pinheiros h\u00e1 54 anos. Mas com o grande crescimento da ind\u00fastria t\u00eaxtil e do mercado de importa\u00e7\u00e3o, a arte de criar e costurar roupas masculinas, como ternos, costumes, cal\u00e7as e coletes, foi perdendo for\u00e7a. Para resgatar a import\u00e2ncia dessa profiss\u00e3o, o Museu do Ipiranga, at\u00e9 o dia 7 de novembro, a mostra &#8220;Of\u00edcio de Alfaiate: A Bancada de Rold\u00e3o de Souza Filho&#8221;, que homenageia o alfaiate paulistano autodidata que atuava na regi\u00e3o de Perdizes.<\/p>\n<p>Na exposi\u00e7\u00e3o, h\u00e1 cerca de 300 objetos de Rold\u00e3o. Entre eles, tesouras, m\u00e1quinas de costura, r\u00e9guas, moldes de papel, ferros de passar, colchas de retalhos e roupas confeccionadas por ele. &#8220;Queremos mostrar todo o processo que envolve o trabalho de um alfaiate. Desde tirar medidas e receber encomendas at\u00e9 ver a roupa totalmente pronta&#8221;, diz Adilson Almeida, 49 anos, especialista em servi\u00e7os e objetos do museu.<\/p>\n<p>Aos 16 anos, Rold\u00e3o de Souza Filho (1931-2005) teve, pela primeira vez, contato com um alfaiate de S\u00e3o Paulo. &#8220;Meu pai ficou fascinado porque o tal alfaiate, que se chamava Carlos, j\u00e1 tinha at\u00e9 carro. E isso numa \u00e9poca em que poucas pessoas possu\u00edam autom\u00f3vel&#8221;, lembra o vendedor Silvio Souza, 54 anos, filho de Rold\u00e3o. Assim, Rold\u00e3o passou a trabalhar como aprendiz. Era o in\u00edcio de uma grande carreira. Em 1967, aos 26 anos, ele estabeleceu-se como aut\u00f4nomo e, aos poucos, tornou-se um leg\u00edtimo representante desse of\u00edcio.<\/p>\n<p>&#8220;Ele era totalmente autodidata, nunca fez curso de costura. Mas chegou a desenvolver t\u00e9cnicas exclusivas para compor as pe\u00e7as que produzia&#8221;, diz Silvio Souza, que costumava ir com o pai comprar tecido no Centro. Ele lembra que, apesar da paix\u00e3o pela alfaiataria, Rold\u00e3o n\u00e3o queria que nenhum dos quatro filhos seguisse a profiss\u00e3o. &#8220;Ele nos dizia: &#8221;aqui, ningu\u00e9m vai ser alfaiate. \u00c9 uma profiss\u00e3o em extin\u00e7\u00e3o&#8221;&#8221;, lembra Silvio. &#8220;Parece que ele j\u00e1 estava prevendo o futuro&#8221;.<\/p>\n<p>Segundo a Associa\u00e7\u00e3o dos Alfaiates e Camiseiros do Estado de S\u00e3o Paulo, a d\u00e9cada de 70 foi o auge da profiss\u00e3o na capital paulista. Lourdes N\u00f3brega, 53 anos, gerente da associa\u00e7\u00e3o, diz que, naquela \u00e9poca, havia cerca de 5 mil alfaiates na cidade. Hoje, s\u00e3o menos de 500. Um dos mais antigos \u00e9 justamente o italiano Tommaso Greco. &#8220;Atualmente, a maioria das pessoas compra roupa pronta. N\u00e3o h\u00e1 mais quem se interesse em aprender a profiss\u00e3o de alfaiate&#8221;, declara Greco. &#8220;\u00c9 uma pena. Alfaiataria \u00e9 uma arte que n\u00e3o pode ser destru\u00edda. Mas n\u00e3o desisto. Fa\u00e7o por amor&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Of\u00edcio de Alfaiate: a bancada de Rold\u00e3o de Souza Filho<\/strong>. Museu Paulista da USP (Parque da Independ\u00eancia s\/n\u00ba, Ipiranga). Tel. (011) 2065-8000. Ter. a dom., das 9h \u00e0s 17h. At\u00e9 7\/11. R$ 6. www.mp.usp.br<\/p>\n<p><em>Fonte: Jornal da Tarde<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos anos 1970, ser alfaiate na cidade de S\u00e3o Paulo era sin\u00f4nimo de status. Esses profissionais eram reconhecidos e valorizados. &#8220;Nosso trabalho era visto com a mesma import\u00e2ncia de engenheiros, m\u00e9dicos, advogados&#8221;, conta o alfaiate Tommaso Greco, 87 anos, um dos mais experientes da cidade e que trabalha em Pinheiros h\u00e1 54 anos. 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